quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

ROMANA – CONTOS ROMÂNTICOS URBANOS



ROMANA – CONTOS ROMÂNTICOS URBANOS

Joanne Ryan

Olá! Me apresento: meu nome é Romana Paiva e sou uma personagem! Por favor, não me confundam com a escritora deste blog, que de ligação comigo só tem o fato de ser a pessoa caridosa que publica os contos de minha autora, sua amiga desde muito, pois caso contrário não teria sido emocionalmente pressionada, num “por favooorrrr” chantagista a expor-me neste blog. Reclamo: EU MEREÇO AO MENOS UMA PUBLICAÇÃO DE FOLHA DE JORNAL EM BANCA DE REVISTA! Fazer o que .... ela está começando, e só uma amiga de verdade para aceitar me publicar assim sem os olhos clínicos de um revisor e sem ao menos saber se não vão me achincalhar. Quero dizer achincalhá-la, pois com certeza o problema não será comigo, pois eu sou o máximo! Chega de blá, blá, blá! Estarei aqui com vocês vez ou outra, pois sabe-se lá quando a minha autora vai se animar a passar para o computador tudo o que já tem numa coletânea de cadernos, muito mimosos, que guarda embaixo da cama.

Conto 1

Assistindo ao sol.

É incrível o que se pode viver com um mínimo de imaginação e a parceria certa. Naquela e em muitas outras tardes fiz realmente isso ocorrer. Digo fiz, porque a parte mais complicada do romantismo feminino é o fato de achar que só é romântico algo que adivinham o que você deseja, ou algo que seja por acaso. Bom, acasos felizes acontecem, mas sabem, eu realmente prefiro não esperar, se vier está bom, se não vem eu crio.
Já estava tudo combinado: eu levaria a “champagne” e ele o som. De ônibus, fazer o que? Ainda éramos meros iniciantes do mundo acadêmico. Os períodos iniciais foram os preferidos para a falta, principalmente se a matéria continuava depois, nos períodos após o intervalo. Nestes casos era só copiar a matéria de algum colega e assistir o resto da aula. Ficava tudo certo. Era verão e o sol se punha mais tarde, assim tínhamos tempo para ultrapassar a primeira etapa do caminho. Mas por uma coincidência, ou por, talvez, já estarem desconfiando de nossas subidas, acompanhadas de repentinos desaparecimentos, tivemos que perder tempo, cada um no banheiro correspondente a sua identidade física, a fazer hora, até que um segurança, do prédio de letras (a construção mais alta, e nossa preferida), saísse do local. Passado o tempo necessário, passamos à próxima etapa, que seria levar tudo para cima, subindo uma pequena escada de ferro que provavelmente servia para o técnico das antenas parabólicas, ou para o mecânico do elevador, pois ela ficava atrás da casa de máquinas.
Chegando ao topo com a vitória dos alpinistas e com a adrenalina dos amantes, colocamos tudo no lugar. Já sabíamos que havia uma tomada por lá, e estávamos tão alto que ninguém nos ouviria. Ligamos a música, e deixamos a bebida para depois, para exatamente a hora certa. Ficamos ali, sentados de frente para o rio, longe e ao mesmo tempo bem pertinho daquele lindo rio de fogo, da cor do verão: quente.
Musgo não é exatamente uma referência de aroma, mas era exatamente disso que era feita sua colônia, que até hoje, posso distinguir em meio à população de notas numa rua lotada de perfumarias. Adoro esse cheiro!
Minha marca era o jasmim.
- Não consigo pensar direito quando sinto esse perfume, pois sempre me embriaga em pensamentos e sensações, porque fico jurando que você está por perto. – dizia ele, quando conseguíamos nos encontrar. E ao som de óperas seguíamos esperando o espetáculo. Apreciávamos o local, o vento, nossos sabores mútuos, a sutil sensação do toque e o simples momento de se estar. Nada de pressa, ou ansiedade, típica dos amores de hoje, era aquele momento e só.
Amarelo, laranja, vivo, rubro – estava na hora. Troca-se a música para um suave, romântico e dançado La Vie en Rose. Ao som de Piaf, à dança entre braços, ao beijo lento e longo, o sol se punha. No último raio estoura e borbulha a dourada e gelada bebida dos franceses. Um brinde. Um carinho, mais um beijo.
Descemos tudo rápido pois com o surgimento da primeira estrela vem o aviso da hora. A noite é muito bela. Sinto-me leve, enquanto me dirijo, agora só, para o que fingirei estar presente. Só meu corpo estará lá porque minha alma já está além da minúscula cidade. Largo os livros e ainda tenho uma sobra de consciência para olhar pela janela e agradecer. Suspiro...

3 comentários:

Everton disse...

Pessoalmente achei muito "bomlegalverdadeiro"

disse...

tem talento!!

Anônimo disse...

voce escreve muito bem.
escreva mais e por favor divulgue mais.